sábado, 7 de janeiro de 2012

A evolução da postura e a descoberta do tempo pela criança dos 3 aos 4 anos

A actividade motora nas crianças tem no seu conceito características que para além de serem complementos na formação de qualquer criança, são inerentes à formação geral da componente motora. Assim qualquer criança necessita de se mover, correr, saltar, jogar, faz parte do conhecimento das possibilidades do seu próprio corpo e do espaço que a rodeia. É uma idade de notório enriquecimento das aptidões motoras, quer em qualidade quer em quantidade, no entanto será apropriada uma educação física básica de cariz simplista.




O aumento da autonomia, e com ela alguma tentativa de independência, vai despertá-los para a noção do tempo, principalmente as crianças que iniciam uma nova etapa nas suas vidas, a entrada no jardim de infância. A noção de existir um horário a cumprir (o despertar, ir para a creche, e nesta os tempos das actividades e os tempos de repouso, os períodos das refeições) será uma das primeiras regras da vida em sociedade, o respeitar de horários e assim desenvolvem noções básicas de responsabilidade.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Lateralidade (dos 3 aos 4 anos)

A lateralidade, definida como a predominância motora de um dos lados do corpo sobre o outro, ainda não está definitivamente estabelecida aos 3 anos, embora já possa haver um predomínio lateral. Assim, o vosso filho pode já mostrar uma preferência pelo uso de uma das mãos, mas também pode ser ambidestro, ou seja os dois lados do corpo terem  uma habilidade semelhante para fazer coisas, podendo diminuir à medida que se aproxima dos 4 anos. A lateralidade só ocorre definitivamente entre os 6 e os 8 anos.
O lado dominante apresenta maior força muscular, mais precisão e mais rapidez, sendo ele que inicia e executa a acção principal e o outro lado auxilia.
A lateralidade manifesta-se não só nos membros superiores e inferiores, mas também no olho e ouvido; se a dominância não é a mesma em todos eles, há uma lateralidade cruzada. Para detectar a lateralidade na mão, pé e/ou olho do vosso filho podem observar quando ele realiza acções no dia-a-dia, por exemplo, a vestir-se, a jogar com um balão ou à bola, quando espreita por uma fechadura, abre ou fecha uma garrafa, salta ao pé coxinho, folheia um livro, etc..
É importante ajudarem o vosso filho a definir a sua lateralidade de forma correcta. Assim se a criança manifestar uma predominância claramente definida, deverão ajudá-la a desenvolver a sua lateralidade natural em todas as situações do quotidiano, não devendo nunca interferir ou modificá-la.
A definição da lateralidade e a discriminação de direita e esquerda, vão ajudar a perceber os movimentos do corpo no espaço e no tempo. Ajudam a perceber a posição do corpo em relação a determinado objecto. Isto permite usar a sua orientação e localização para actuar com o espaço envolvente.

Com jogos podem ajudar a vossa filha a tomar consciência da facilidade ou dificuldade de movimento de determinada parte do seu corpo.
Por exemplo, fazer jogos de obstáculos, percorrendo os obstáculos em ziguezague; saltar de arco em arco a correr.



Joguem à bola com a vossa filha, encorajando-a a dar pontapés, alternando os pés, ou atirando com as mãos e apanhando a bola. As bolas de praia ou bolas que não sejam duras são mais fáceis para ela.
Também podem jogar ao jogo do balão, em que se dá toques sucessivos num balão, com uma mão e depois com a outra, sem deixar cair; enfiar a bola ou o balão numa ‘baliza’, alternando as mãos.

Jogo: Escultura corporal
O seu filho vai fazer uma escultura corporal: ele deve mover o corpo do parceiro (você) segundo as indicações que este lhe der – por exemplo, ‘pega numa mão e coloca-a sobre o ombro; a outra mão sobre o outro ombro’, sendo sempre mantida a posição. No final de algumas indicações ficamos com uma linda estátua! Depois troquem de posiçoes (pode-se também fazer uma estátua com mais pessoas).
O que o seu filho aprende: Este jogo ajuda a trabalhar o esquema corporal, trabalhar a lateralidade, aprender a dar e receber instruções, trabalhar movimento vs parado.

Jogo: Separar sementes
Espalhar, por exemplo, diferentes variedades de feijão. Só com uma mão vão fazer montinhos de sementes iguais. Mudar de mão. Pode também ser meter e tirar pequenos objectos de um frasco ou caixa, etc..
O que o seu filho aprende: Este jogo ajuda a trabalhar a lateralidade, a coordenação óculo motora

Motricidade global (dos 3 aos 4 anos )


Dos 3 aos 4 anos, o vosso filho irá adquirindo um maior controlo e equilíbrio quando anda, corre, trepa, pula, salta, dança e pedala. Ele conseguirá saltar pequenos degraus ou objectos e subir e descer escadas usando os dois pé alternadamente. Ele vai ser capaz de andar segundo uma linha recta, contornar rapidamente obstáculos, correr em passo rápido e alterar a velocidade de corrida, facilmente mudar de direcção e parar. Nesta idade também conseguirá andar em bicos dos pés ou recuar. Já se consegue equilibrar em cima de um muro baixo.
O vosso filho consegue atirar uma bola parada com os pés, mesmo aproximando-se a correr, mas ainda tem uma certa dificuldade em apanhá-la. Consegue apanhar uma bola grande com as duas mãos e atirar uma bola parada.
Já consegue coordenar os movimentos para aprender a andar de baloiço sozinho.
É importante que ele possa realizar estas actividades em locais seguros e com supervisão.
As crianças nesta idade são incansáveis, não param um momento, e não se apercebem quando estão a cansar-se demasiado, e ficam completamente esgotadas se não tiverem actividades mais calmas para contrabalançar.

Motricidade global - como podem ajudar (dos 3 aos 4 anos)

Garantam que o vosso filho passa muito tempo ao ar livre e tenha espaço para correr, brincar e trepar. Trepar às árvores, andar de bicicleta e brincar nos parques infantis promove o equilíbrio, a coordenação e a percepção do espaço. Escalar é muito bom para estimular o sentido da lateralidade, a confiança e o equilíbrio. Na praia pode subir as rochas e saltar de umas pedras para as outras.
Incentive a sua filha a andar de bicicleta ou de triciclo, aconselháveis para a sua idade, tamanho e perícia, em espaços abertos e amplos. A partir dos três anos o equilíbrio e coordenação estão mais desenvolvidos, permitindo que ande de bicicleta com rodinhas com mais à vontade, desviando-se dos obstáculos e conseguindo travar quando necessário. Ao escolher um modelo é importante que a sua filha consiga apoiar os pés no chão para aumentar a confiança e se equilibrar com mais facilidade.
No parque infantil encorajem o vosso filho a usar os vários equipamentos. Ele adora desafios: proponham-lhe um circuito com algumas tarefas e contem o tempo que ele leva a realizá-lo – estará a trabalhar a percepção do espaço, do tempo e a memória.


Incentivem a vossa filha a movimentar-se de diferentes formas, fazendo vocês também, para ela compreender e tornar o jogo mais divertido.

Pode ser, por exemplo, imitar o movimento dos animais - rastejar como a cobra, saltar como o coelho, a rã ou o canguru, andar como o caranguejo, trotar ou galopar como o cavalo, gatinhar e espreguiçar-se como o gato, bambolear-se como um pato, esvoaçar em bicos de pé como uma ave, etc..
Saltar de pés juntos e ao pé coxinho (as mais novas podem precisar de alguma ajuda ou de agarrar-se a algo; incentive-a a saltar com os dois pés, para trabalhar os dois lados do corpo, embora seja natural que tenha mais tendência e consiga saltar melhor com um dos pés).
Incentivem-a a mover-se a diferentes ritmos, por exemplo lento/rápido, marcando o ritmo com palmas ou música. Dancem juntos. Usem diferentes ritmos, para ajudar na percepção do tempo e do ritmo.

Jogo: Escultura corporal
Dancem ao som da música. Sempre que interromper a música, deverão ficar parados tomando uma postura de estátua. A postura poderá ser livre ou poderá ter que imitar a postura do líder.
O que o seu filho aprende: Este jogo ajuda a trabalhar o esquema corporal, a percepção espacial, o movimento vs parado, o ritmo, a lateralidade


Jogo: Passar por baixo da ponte
Material: peças de lego.
Construa com a sua filha uma ponte com legos duplos com largura suficiente para ela (e para os pais) passarem e, se possível, com altura suficiente para ela passar em pé. Aproveite para associar cores aos pilares da ponte – por exemplo, três amarelas (e conte com ela!), depois mais três azuis e assim sucessivamente.
O jogo consiste em passar por baixo da ponte, sem a deitar abaixo. A cada passagem vai-se baixando a ponte, tirando três peças de cada vez, até ao máximo que conseguirem. Sempre que for necessário, vá dando indicações que a ajudem a tomar consciência das diferentes partes do corpo e que a ajudem a passar (e incentive-a a fazer o mesmo para si).
Pode também ir alterando a forma de passar: às arrecuas, deitada de costas, etc.
O que a sua filha aprende: este jogo permite trabalhar o esquema corporal e as relações espaciais.


Vamos contar estórias!
Conte-lhe estórias que possam ser encenadas. Por exemplo, estórias onde imitem o movimento de diferentes animais ou que a façam movimentar de formas diferentes e com ritmos diferentes como acontece, por exemplo, no ‘O Cuquedo’ de Clara Cunha ou ‘Vamos à caça do urso’ de Michael Rosen.
Ou, por exemplo, uma ida ao pomar apanhar maçãs com um cesto e fazer um piquenique (ver vídeo). Numa mão levamos o cesto, com a outra apanhamos as maçãs; que cansado está este braço por levar o cesto! Vamos trocar de braço - agora apanhamos as maçãs com a outra mão (para trabalhar a lateralidade). 



Os jogos tradicionais como a apanhada, as escondidas, macaquinho do chinês, os cinco cantinhos, a macaca, etc., permitem desenvolver a percepção do espaço, trabalhar movimento vs posições de parado, além de serem jogos com regras reduzidas e simples apropriadas a esta idade.
Para promover o equilíbrio incentive-a a andar numa linha recta, por exemplo sobre uma corda esticada, em muros baixos, nos lancis do passeio, nas traves de equilíbrio que existem nos parques, a dar pequenos saltos sobre obstáculos.

Motricidade fina - dos rabiscos à imagem ( dos 3 aos 4 anos)



O desenho das crianças evolui com a idade e não se rege pelos padrões estéticos dos adultos. A evolução é semelhante na maioria das crianças, estando, no entanto, dependente de diferenças individuais de temperamento e sensibilidade, bem como da estimulação e reforço que são dados pelas pessoas que a rodeiam.
Os rabiscos vão-se tornando construções cada vez mais ordenadas e definidas e, por volta dos 3 / 4 anos, surgem os primeiros símbolos e formas isoladas. A criança desenvolve a intenção de criar imagens, integrando percepção e imaginação. Nesta fase surge o desenho da figura humana (cabeça, pernas e braços) que vai evoluindo à medida que se desenvolve o esquema corporal. As cores começam a desempenhar um papel mais relevante. Começam, também, a surgir as paisagens, muitas vezes antropomórficas (com características humanas, como por exemplo, o sol com olhos e boca).




 O desenho está também muito ligado à escrita, uma vez que a escrita é uma parte atraente do mundo dos adultos e desperta na criança um grande fascínio. Muito cedo a criança tenta imitar a escrita dos adultos. 
A Preensão Tripé  é o estágio inicial da movimentação fina (3 dedos).  Aos 3-4 anos, a criança consegue  segurar  um lápis, marcador ou pincel com as pontas dos dedos, em vez da palma da mão.




  

domingo, 18 de dezembro de 2011

Organização



Aqui vai um video de curiosidade, a explicar muito bem, e claramente, a intervenção do espaço e do tempo no desenvolvimento das crianças.
Espero que gostem, e que fiquem mais esclarecidos, obrigada pela vossa atenção.

Evolução da ideia do espaço e do tempo dos 3 aos 4 anos

 

Nesta etapa, é quando as crianças se apercebem do seu próprio corpo, dos seus sintomas e da relação que isso tem no seu ambiente. Devido a isso a sua personalidade começa a intensificar-se.
A criança perceberá o que deve fazer, o que quer fazer, e a coordenar-se a si própria, formando assim as suas relações com as pessoas ao seu redor. Somando a isto, não só as suas relações se começam a formar, como a criança começa a perceber tudo o que se passa a sua volta, a relação dos pais, as relações familiares, as relações dos amigos e até as relações das suas educandas e auxiliares, por isso deve-se ter bastante cuidado. Se infelizmente a relação com o seu marido ou esposa está a passar por uma má fase, não o devem mostrar isso à criança, pois tudo o que ela vê, transmite nos seus actos, para com as pessoas que passam mais tempo com ela, nomeadamente os seus amigos e educadoras.
Como nós sabemos existem, segundos, minutos, horas, dias, noites, meses, anos, etc. 
E é isso que as crianças vão começar a perceber também, vão saber distinguir o que almoçaram no dia anterior e o que almoçaram nesse dia, vão ter mais noção da duração de um dia e de uma noite, mas só o vão conseguir depois de o desenvolvimento da ideia ter começado.
Para as crianças a diferença entre o espaço e o tempo não existe, e a evolução do espaço passa por três fases em diferentes idades, desde dos 3 aos 12 anos, por isso só ao longo do tempo, das suas actividades, das suas experiencias é que vão começar a perceber o que significa o espaço.